sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Desde nova que gostava de observar tudo ao meu redor, mas dava uma especial atenção ao ser humano. Tão complexo e malicioso, cheio de artimanhas e falsos moralismos, com estranhos hábitos e sempre com palavras afiadas para oferecer. 
A ilusão dos contos de fadas foi-me desvendada muito cedo, e talvez por isso me apaixonei pela solidão....tão monótona, por vezes cansativa. Há dias que me farto dela é certo...mas acabo sempre por regressar (em cacos).

Um dia, num sussurro me disse "O que acontece aqui dentro, ninguém precisa de saber. Aliás, nem mesmo se soubessem entenderiam."
É verdade? Não entendes? 
Não entendes que os assombros, empurram-me pelo tempo de tormentos constantes. Por fora, choro sorrisos quebrados, mas por dentro, lacrimejo riachos de sangue. Não entendes que os calafrios enfeitam o meu fôlego de falhas,e que por mais que o sol me queime, o frio é interno, congela o que não se pode ver e o que não se pode tocar. Não entendes que o meu coração lateja ódio, reprime as escuridões que nego a mim mesmo pra me fingir de abajur com luzes aflitas, e negar as noites sem Lua que carrego comigo, sem cura, nas minhas cicatrizes escondidas. 

Diz-me...Será egoísmo da minha parte reclamar da vida enquanto tenho casa e comida, e muitos vivem por aí sem um teto pra se abrigar? será egoísmo da minha parte reclamar daquilo que não tenho, enquanto tenho saúde e muita gente por aí vivem em cama de hospitais e possuem motivos para reclamar e mesmo assim não reclamam? será egoísmo da minha parte falar que não tenho ânimo na vida, enquanto tenho um corpo perfeito e muitos por aí que não tem, tem muito mais forças para continuar? será egoísmo da minha parte pedir a morte, enquanto milhares lutam para viver? 

 E é aí que sinto o bafo gelado da solidão, que me diz num sussurro "Com o mal dos outros posso eu bem!" 

 É melhor ser fria, do que ser restos das cinzas de amores que vêm, incendeiam, içam-te chamas à altura do céu, e em seguida te assopram com o abandono. Deixam-te sufocado na fumaça, nas mais intimas profundidades da ilusão. Fecha-se a alma em cicatrizes, dança-se sozinho no escuro e congela-se o peito em dores… Vive, acorda, finge sorrir, mas é surrado pela solidão e chora, às vezes sem querer, por se proibir a amar.

3 comentários:

Mr Brightside disse...

escrevi na semana passada : amar devia ser um crime

Mr Brightside disse...

escrevi na semana passada : amar devia ser crime

Ni disse...

Mr Brightside- por vezes é...e pagamos caro por esse "crime"